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Situações

Objetivo: Promover a discussão coletiva a respeito de questões sensíveis ao grupo, partindo de situações fictícias.

Material:

Cópias das situações fictícias escolhidas (ou adaptadas) para trabalhar com o grupo.

Desenvolvimento

Dividir as pessoas em grupos de quatro a cinco participantes. Em cada grupo, deve ficar uma pessoa facilitadora. Explicar que serão lidas em voz alta (por alguém do grupo) situações fictícias e, em seguida, o grupo discute o que acham que deveria acontecer a partir do impasse que elas apresentam.

A cada situação, explorar as diferentes posições que podem surgir no grupo. Estimular que as pessoas expliquem suas opiniões e possam argumentar umas com as outras. Prestar atenção em como as situações abordadas relacionam-se com o cotidiano escolar, mas não estimular que deem exemplos da “vida real”, focando o debate nas situações e personagens fictícios.

Situações sugeridas:
(podem ser adaptadas de acordo com questões e conflitos vividos no contexto trabalhado)

  • Sexismo

“Ana e Marcos estudam na mesma turma e namoram há dois meses. Marcos é bastante ciumento e acompanha a namorada em todos os lugares. Ana gosta do namorado, mas às vezes se sente sufocada. Durante o recreio, quando Ana foi ao banheiro, Marcos mexeu no celular da namorada e ficou com ciúmes de algumas mensagens que viu. Ele pegou o braço de Ana com força e disse que se ela continuasse conversando com amigos homens, iria terminar o namoro.”

“Maria e Beto namoram há oito meses. Eles sempre saem juntos para lugares públicos ou com amigos. Um dia, Beto convidou Maria para verem um filme a sós na casa dele. Maria aceitou o convite. Beto preparou pipoca. Durante o filme, o clima começou a esquentar entre os dois namorados. Quando os dois já estavem sem roupa, Maria pediu para Beto parar e ele disse: ‘Que isso gata, vai me deixar na mão agora? Não dá pra parar não!’ – e ameaçou terminar o namoro.”

  • Racismo

“A escola estava organizando uma peça de teatro que seria encenada pelos e pelas estudantes. Foi feita uma seleção concorrida para escolher quem iria encenar os personagens. Taís, uma estudante do 8º ano, queria muito o papel protagonista da peça. Quando saiu o resultado, Taís ficou animadíssima: ela tinha conseguido! No primeiro ensaio, no entanto, Taís foi chamada pelo diretor da peça que pediu a ela para que usasse algum produto para “domar” e alisar seu cabelo, que era crespo.”

“A família de Wander mudou-se no início do ano para o bairro, quando ele começou a frequentar a nova escola, onde ainda não fez muitos amigos. Durante uma das aulas, um grupo de estudantes ficou zoando Wander quando ele fez uma pergunta à professora. Chamaram o colega de ‘macaco’ e ‘neguinho’. Uma aluna disse que tinha nojo de sentar perto de Wander. A professora continuou a dar a aula, dizendo que era só uma brincadeira da turma, porque Wander era novo na escola.”LGBTfobia“Ligia e Malu são grandes amigas e se gostam muito. Nas últimas semanas, elas têm sentido mais vontade de ficar juntas. Na escola, sempre se abraçam quando se encontram, gostam de ficar sentadas de mãos dadas e de fazer carinho uma na outra. Os colegas começaram a implicar com Ligia e Malu, a fazer piadas e xingá-las quando passam. Na saída da escola uns garotos jogaram pedras nas duas, enquanto o restante das alunas e alunos ria delas.”

  • LGBTfobia

“Ligia e Malu são grandes amigas e se gostam muito. Nas últimas semanas, elas têm sentido mais vontade de ficar juntas. Na escola, sempre se abraçam quando se encontram, gostam de ficar sentadas de mãos dadas e de fazer carinho uma na outra. Os colegas começaram a implicar com Ligia e Malu, a fazer piadas e xingá-las quando passam. Na saída da escola uns garotos jogaram pedras nas duas, enquanto o restante das alunas e alunos ria delas.”

  • Consentimento

“Pedro e Isaac são amigos e estudam na mesma escola. Gostam de conversar com outros colegas no pátio depois da aula. Um dia, Isaac deu a ideia de brincarem de desafios entre eles. Depois de uma aula, Pedro disse que gostaria de participar de um desses desafios. Isaac incluiu Pedro na brincadeira e o desafiou a subir no galho mais alto de uma grande árvore do pátio e pular lá de cima. Pedro, que tem medo de altura, disse a Isaac que não se sentia bem em fazer isso e quis sair da brincadeira. Isaac insistiu, dizendo que era apenas um desafio, que ele estava sendo covarde e que se ele não pulasse não poderiam mais ser amigos.
Pedro continua relutante, com medo de cair e se machucar, mas, ao mesmo tempo, não quer ser excluído do grupo de amigos. Outros colegas de classe que estavam no parquinho começaram a observar a situação, alguns rindo e outros apenas assistindo.”